quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Brenda Starr



Adaptação da personagem das histórias em quadrinhos de Brenda Star, criada por Dale Messick em 1940. A adaptação para o cinema só aconteceu em 1989. Mas outras produções para a TV aconteceram nos anos 40 e 70. O filme foi produzido em 1986, mas só lançado em algum lugar do mundo em 1989, e nos EUA, por perrengues com os direitos da personagem apenas em 1992. Então, para os EUA, Dick Tracy (1990) saiu antes.

No começo do filme temos Mike (Tony Peck), um desenhista fracassado, uma bela abertura de quadrinhos sendo feito. Nisso Brenda Starr cansa das reclamações e assume sua história. Só resta  ao desenhista ir atrás dela, se desenhando para entrar no mundo dos quadrinhos.

Se o filme ficasse nisso seria bem bobo, mas essa trama fica em segundo plano, dando espaço para Brenda Starr brilhar (desculpem o trocadilho).

Brenda Starr (Brooke Shields)é uma repórter do jornal Flash, ela é conhecida por sua coragem, inteligência e beleza. Somos apresentados a ela durante um tiroteio. Um gangster troca tiros com a polícia. Para conseguir a matéria, Brenda Starr sobe no prédio até o parapeito e pede para entrevistar o bandido. Ela acha que o convenceu a se entregar, mas acaba virando refém dele. Ela manda os policiais atirarem, e eles atiram mesmo. Depois ela mesmo desarma e luta com o bandido. Eles caem do prédio, mas com toda a calma do mundo ela vira o bandido para baixo, usando ele para amortecer a queda e se salvar.

E é isso que teremos durante o filme, Brenda Starr no comando de qualquer situação, seja ligando para a Casa Branca e marcando uma entrevista com o Presidente para ir atrás do famoso cientista que está no Brasil, obviamente entre os índios, testando seu novo combustível que transforma água comum em o mais poderoso propelente para foguetes, mas os russos o querem também, então Brenda vai atrás do cientista. Ela é ajudada pelo latino de tapa olho e galã da vez, Basil (Timothy Dalton). O desenhista continua atrás dela.

Ela vai atrás do Cientista, mas acaba sendo drogada pelos soviéticos. Acaba em um país errado, usa de truques e luta para fugir e corre ao aeroporto, volta ao seu país e começa sua jornada até o tal cientista. Ela tem um afer com o Basil, que aparece vestido de Zorro, sem motivo aparente.

A meta linguagem é interessante, mas distrai e não combina com a aventura, que na minha opinião já era suficiente para manter o filme, não precisava de uma trama paralela lembrando ao público que os exageros do filme são explicados por ser uma história em quadrinhos. Mas era em 1989, o público não aceitava bem alguns exageros, isso foi antes até de Dick Trace.

A trama se passa quase toda no Brasil, com um triangulo amoroso entre Mike e Basil, cada nova situação leva a um desafio vencido por Brenda, até a luta final contra os soviéticos no rio, que acaba com Brenda e usando a fórmula do cientista para tacar fogo na água. Os soviéticos escapam do fogo só para virarem comida de crocodilo.

Uma outra trama paralela é da rivalidade de Brenda com Libby, uma outra repórter do Flash. Libby a segue pelo Brasil, e num segundo final do filme rende e prende Brenda, Mike e Basil e foge com a fórmula. Mas logo depois de escaparem Mike descobre que a fórmula não funciona, ela explode os motores depois de um tempo. Brenda publica a história, ridiculariza Libby e agora decide sobre com quem ficara, e escolhe nenhum do dois, Isso mesmo, ela continua suas aventuras enquanto Mike volta para o mundo real e  Basil parte para outra aventura.

Mike acaba sendo o parceiro para o filme, Basil é meio adereço. A diferença da dupla funciona bem, ela acostumada com a vida de aventuras e ele um desenhista que tem medo de tudo.

As interpolações do filme com cenas em quadrinhos, para viagens e passagens de tempo são bem legais, acredito que tenham feito isso por motivos econômicos, um monte de locações são substituídas por desenhos e então só vemos a coisa de perto.

A parte do Brasil é o que se espera. Floresta, piranhas samba e capoeira. Alguns podem se incomodar, mas pra mim está valendo. Não to nem ai se os americanos quase 30 anos atrás achavam que usavam sombreiros e tinha floresta em todo lugar. Funciona para o filme, então está ótimo.

O filme arruma algumas desculpas para trocas de figurino constante da Brenda Starr, até faz sentido se você tem a Brooke Shields nesse papel. Outro ponto é a vaidade exagerada de Brenda, que, como disse no começo do filme, estava num parapeito de salto alto e saia.

Por isso mesmo é difícil responder a pergunta: Essa é uma personagem feminista?

Para os SJW a resposta é não, mas eles nunca se contentam com nada. Fora eles, depende, ela age como se estivesse no comando o tempo todo, luta, pula de telhados e sempre sabe o que fazer. E Basil e Mike meio que se digladiam para ter a atenção dela.

Por outro lado o exagero com a vaidade pode parecer menininha demais. Ela para lixar uma unha antes de arrombar um cadeado, e usou maquiagem para cegar os soviéticos numa fuga, e até bateu usando a bolsa, que descobrimos mais tarde que tinha uma alça secreta para ser usada como corda.

Mas o filme foi bastante criticado na época, principalmente por conta da Brenda Starr e sua feminilidade exagerada. Pra mim é uma heroína que funciona, forte e decidida, mas vaidosa. Um ou outro momento pode até rolar uma vergonha alheia, mas está de acordo com o filme, todos os personagens e situações são caricaturadas, até os crocodilos.

O filme foi severamente criticado na época, acho que ninguém entendeu na época a pegada História em Quadrinho. Uma pena. Vilões caricatos, aventura leve e personagens estereotipados em situações clichês como pular no rio das piranhas, desmaiar com a bebida (no caso uma dose de pinga) e o cientista isolado, mas brilhante. Tudo isso numa fotografia bastante colorida. Tudo isso combinou bem, forjou uma aventura leve e divertida, como uma história em quadrinhos. (no caso tiras de jornal).

Uma pena esse filme acabar assim tão esquecido, uma pena os críticos e o público terem odiado. Eu gostei do filme a primeira vez que o vi aos 10 anos de idade, e me apaixonei pela Brenda Starr, como gostei dele agora. Mesmo vendo nessa cópia bunda no Youtube. Não achei outra.

Mas temos alguns problemas...

A trilha sonora em alguns pontos é bastante irritante, forçada demais em um samba genérico como nos filmes que passam no Brasil. O clímax do filme é com os soviéticos e um segundo final com mais 10 minutos de filme deixa meio meh. Mike é um ótimo personagem, o cara comum, que faz o contra ponto perfeito com Basil e funciona como parceiro da Brenda, mas toda a trama de mundo real e mundo dos quadrinhos é só confusa, não acrescenta nada ao filme.

Trailer:

Filme completo, em inglês; 


Links:
http://www.imdb.com/title/tt0096978/
https://en.wikipedia.org/wiki/Brenda_Starr_(film)

Os posteres internacionais são qualquer coisa:




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